A violência das Queimaduras

09/07/2007
rai trindade




“O primeiro socorro de um queimado é não se queime. E, se queimou, torça para que a queimadura seja superficial e pequena.” Quem alerta é Carlos Briglia, diretor médico e coordenador do Centro de Tratamento de Queimados do Hospital Geral do Estado (HGE), onde são atendidos cerca de 3 mil casos por ano, com uma média de mil internamentos. Segundo o especialista, as queimaduras profundas e extensas, conhecidas como queimaduras de terceiro grau, desencadeiam uma resposta inflamatória que, persistindo e dependendo da intensidade, irá provocar a falência de múltiplos órgãos e/ou sistemas que, quase sempre, leva ao óbito. “Tentando se defender, o organismo acaba se matando. A queimadura de terceiro grau é o grande trauma branco. Apesar de não sangrar, é mais violenta que um atropelo”, explicou.
De acordo com Briglia, que também é presidente da Sociedade Brasileira de Queimaduras – Secção Bahia – já podem ser considerados graves os casos com 10% a 15% do corpo queimado, a depender da idade das vítimas, a profundidade e as áreas afetadas. No entanto, atualmente já conseguimos salvar pessoas com queimaduras de terceiro grau até com mais de 30% de extensão, o que seria impossível há cinco ou seis anos”, afirmou. “Esse avanço”, continuou ele, “trouxe uma nova questão sobre a qual os especialistas em queimaduras se debruçam atualmente: o que fazer com as vítimas que sobreviveram? Como tratar cirurgicamente as seqüelas decorrentes dessas queimaduras tão devastadoras? Estamos tendo que aprender”, respondeu.


• Manter as crianças longe do fogão;
• Não colocar o cabo das panelas virado para fora;
• Não transportar líquidos quentes pela casa;
• Só dar banho nas crianças quando a água está na temperatura ideal;
• Vedar as tomadas;
• Utilizar fios elétricos cobertos;
• Tirar fósforos e álcool do alcance das crianças;
• Evitar trabalhos que envolvam fios de alta tensão, como construções ilegais de lajes (hábito comum nas áreas mais carentes) e instalação de antenas;
• Ter cuidado com o uso de materiais inflamáveis como álcool e pólvora;
• Manter atenção no trânsito para diminuir as chances de acidentes de carro;
• Evitar exposição excessiva ao sol.


• Lavar a área queimada com água corrente e sabão neutro;
• Aplicar no local uma pomada antibiótica;
• Cobrir a queimadura com um pano limpo;
• Procurar atendimento na unidade de saúde mais próxima;
• Se não houver melhora, dirigir-se à Unidade de Queimados do HGE.


• Queimaduras pequenas e superficiais também podem levar ao óbito ao agravarem patologias não relacionadadas (comorbidades), a exemplo da obesidade, hipertensão, diabetes, entre outras;
• Devido às complicações decorrentes das queimaduras graves, há pacientes que permanecem internados por mais de um ano;
• A taxa de mortalidade por queimaduras graves na Unidade de Queimados do HGE é de 8% a 10% – seguindo a média mundial atual;
• As queimaduras de primeiro grau são superficiais e se caracterizam pela vermelhidão, dor intensa e cura rápida. Não deixam marcas;
• As queimaduras de segundo grau apresentam bolhas, demoram um pouco mais de tempo para sarar, doem menos (por atingir algumas terminações nervosas) e podem deixar marcas;
• As queimaduras de terceiro grau não causam dor (por atingirem todas as estruturas da pele) e geralmente necessitam de tratamento cirúrgico;
• A Sociedade Brasileira de Queimaduras – Seção Bahia – está buscando, junto ao governo estadual, a viabilização do título de queimadólogo. Em todo o país, os especialistas em tratamento de queimados têm apenas o título de cirurgiões plásticos.


 

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