Ana Lívia Lopes
A partir da criação do Grupo de Trabalho da Baía de Todos os Santos, instalado no Centro de Recursos Ambientais da Bahia (CRA) depois da ocorrência do fenômeno da Maré Vermelha, as questões ambientais e as ações para o desenvolvimento sustentável da região ganharam um fórum permanente de discussões. Tendo como meta a busca de soluções para os problemas encontrados na BTS, o GT reúne, além do próprio CRA e de outros órgãos dos governos do estadual e federal, representantes de institutos de pesquisa, universidades, entidades classe de pescadores, associações de moradores, Prefeituras Municipais, entre outros segmentos que atuam no entorno da baía.
“Trata-se de um grupo de discussão que quer agregar a maior quantidade possível de informações sobre a região. Por isso ele é aberto à participação de qualquer instituição ou entidade que queiram dar a sua contribuição para a causa”, diz o assessor técnico da diretoria geral do CRA, Jefferson Viana. Ele explica que, para avançar de forma mais eficiente na identificação de problemas e busca de soluções, o GT foi dividido em quatro núcleos: Sistematização da Informatização, Pesquisa e Monitoramento, Saúde e Saneamento e “Educação Ambiental para a Sustentabilidade.
Entre os resultados já gerados pelo GT está a intensificação do serviço monitoramento da Baía de Todos os Santos. O CRA está monitorando quinzenalmente a comunidade de Fitoplânctus da BTS, que pode indicar mudanças na qualidade da água e fiscalizando as indústrias que atuam em seu entorno.
O fenômeno conhecido como Maré Vermelha, que causou a mortandade de peixes na área da Baía de Todos os Santos e causou um grande prejuízo para pescadores e marisqueiros da região, propiciando a criação do Grupo de Trabalho, ocorreu no início do mês de março. O fenômeno se caracteriza pela grande quantidade de microorganismos unicelulares, vulgarmente denominadas microalgas. Em altas densidades, essas algas denominadas de Gymnodinium sanguineum produzem grande quantidade de matéria orgânica, o que causou a obstrução das brânquias dos peixes, levando-os à morte por asfixia. A situação ainda foi agravada pela redução do oxigênio disponível na água em função da decomposição da matéria orgânica gerada.
Segundo o assessor do CRA, alguns estudos apontam para a presença na baía de espécies exóticas que concorrem com as nativas. Outro fator que pode ter contribuído para a ocorrência da Maré Vermelha é a existência de problemas crônicos causados pela contaminação da baía por metais pesados e o lançamento in natura de águas oriundas de sistemas inadequados de esgotamento sanitário.
Jefferson Viana destaca que, no momento, estão sendo desenvolvidos outros planos de ação para a BTS, através do trabalho articulado entre as secretarias estaduais de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, de Agricultura e de Desenvolvimento Social e o Ibama, órgão do governo federal.
Pontilhada por 56 ilhas, entre elas Itaparica, a Baía de Todos os Santos, com extensão de 450 km, é a maior da costa brasileira. Ela foi batizada em 1501 pela expedição portuguesa da qual fazia parte Américo Vespúcio, que deu nome a todo continente. A baía foi avistada em 1º de novembro que, pela tradição católica, é o Dia de Todos os Santos.