Em 2006, o setor de celulose foi responsável pela manutenção e monitoramento de 250 mil hectares de mata nativa
Emília Valente
Empresas de papel e celulose buscam construir imagem de respeito à natureza, investindo em ações ambientais
A indústria de base florestal está em expansão no Brasil. Os dados da Associação Brasileira de Produtores de Florestas Plantadas (Abraf) indicam investimentos da ordem de R$ 6 bilhões só em 2007 – o que significa um crescimento de R$ 1,2 bilhão em relação ao ano passado. Ainda em 2006, o total de área plantada no País chegou a 5,74 milhões de hectares. Com ótimas condições climáticas para o plantio de eucalipto, a Bahia está em quinto lugar no ranking dos estados por distribuição de florestas plantadas, com mais de 594 mil hectares explorados, majoritariamente, por grandes indústrias de papel e celulose.
Mas como conciliar o negócio com a necessidade de preservação do meio ambiente? Enquanto grupos de ambientalistas vêem no plantio e cultivo de eucalipto uma ameaça à biodiversidade, as empresas do setor se esforçam em construir outra imagem. Em 2005, essas empresas investiram no estado R$ 157,04 milhões em ações ambientais, o que incluiu financiamento de pesquisas, projetos de monitoramento e outras iniciativas em áreas, como conservação da fauna e da flora e educação ambiental para as comunidades.
“A preservação do meio ambiente é o principal pilar da nossa atividade”, defende o presidente da Associação dos Produtores de Florestas Plantadas do Estado da Bahia (Abaf) e executivo da Suzano Papel e Celulose S/A, Élcio Luiz Régis de Souza. “Cuidar do meio ambiente é cuidar do nosso negócio, porque é o equilíbrio do meio ambiente que vai permitir uma produção mais sustentável daquilo que é nossa matéria-prima: a madeira”, acrescenta Antônio Sérgio Alípio, da Veracel Celulose.
Antônio Sérgio lembra que, praticamente, todas as empresas do setor têm ao lado das suas áreas plantadas para comercialização uma extensão de florestas naturais conservadas na ordem de 40% da área total. “Essa área é composta não só pela reserva legal, como também por uma área de preservação permanente e reservas excedentes que correspondem à forma como as empresas encontram de garantir a sustentabilidade da produção”, explica ele. De acordo com os dados da ABrap em 2006, na Bahia, o setor foi responsável pela manutenção e pelo monitoramento de mais de 250 mil hectares de mata nativa.
Para legitimar os seus sistemas de manejo florestal, as indústrias buscam a obtenção de selos de certificação. No Brasil, há o Sistema Estadual de Reposição Florestal Obrigatória (Serflor), criado para garantir que os consumidores de matéria-prima de origem florestal efetuem a reposição florestal em quantidade equivalente ao volume consumido. Já o Forest Stewardship Council ou Conselho de Manejo Florestal (FSC) é um sistema reconhecido internacionalmente que estabelece padrões, políticas e guias para a promoção do manejo responsável.
“Esses certificados dão ao consumidor uma garantia de que as empresas que os obtêm utilizam práticas ambientais sociais e tecnológicas adequadas, tanto nas legislações brasileiras como nas internacionais”, acredita Antônio Sérgio Alípio, da Veracel Celulose.