Águas subterrâneas

Com um rico manancial de águas subterrâneas, a Bahia enfrenta o desafio de planejar a utilização desses recursos sem comprometer o meio ambiente


  • Emília Valente
    O volume de reservas de água subterrânea no Brasil pode chegar a 112 trilhões de metros cúbicos, segundo dados da Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (Abas). Só na Bahia, estima-se que haja abaixo da superfície da terra um potencial hídrico de 117 milhões de metros cúbicos/dia, de acordo com informações da Superintendência de Recursos Hídricos (SRH) do estado. Em um cenário mundial de tendência de redução na oferta de água, a gestão desse manancial gigantesco – e ainda relativamente pouco conhecido e explorado – pode ser decisiva para o nosso futuro.
    “A abundância de água superficial no Brasil – e os custos da perfuração – permitiram uma preservação maior das nossas reservas de águas subterrânea, ao contrário do que aconteceu em inúmeros países do mundo”, explica o geólogo Zoltan Romero, da SRH. Na Índia, por exemplo, cerca de 80% da irrigação é realizada com água subterrânea. Lá, e em países como os Estados Unidos, a exploração indiscriminada das reservas do subsolo, principalmente para a agricultura, levou ao esgotamento de inúmeros aqüíferos, como são chamadas as formações geológicas que armazenam água embaixo da terra.

    Monitoramento – “No Brasil, nós ainda temos a oportunidade de planejar a utilização desses recursos de forma a prevenir problemas ambientais”, alerta o geólogo. Um dos instrumentos fundamentais nesse processo é a realização de estudos de monitoramento das águas subterrâneas. Na Bahia, o governo estadual já realizou uma experiência do gênero na região Oeste, na bacia do Rio das Fêmeas, onde o volume de águas superficiais explorável comercialmente está próximo do limite, o que significa que, em alguns trechos, a utilização do recurso ameaça comprometer os rios. Os estudos – que incluíram monitoramento da quantidade e coletas pontuais de amostras para análise da qualidade – foram realizados em 2003 e 2004. Agora, uma das metas da SRH é retomar esse trabalho de forma contínua.
    Outra região do estado que exige atenção especial é a da bacia Recôncavo Norte, onde fica localizado o aqüífero Tucano, ocupando uma área de 43 mil quilômetros quadrados. Esse aqüífero é intensamente explorado, principalmente em função das operações das empresas do Pólo Petroquímico de Camaçari. Também em razão das operações do pólo, a região conta com uma rede para monitoramento da qualidade das águas subterrâneas mantida pelas próprias indústrias, em atenção às exigências ambientais. Até agora esses estudos não apontaram comprometimento dos recursos hídricos.
    No entanto, os estudos de monitoramento da quantidade de águas subterrâneas identificaram um rebaixamento do aqüífero Tucano, o que levou a Superintendência de Recursos Hídricos a realizar um trabalho para promover uma maior disciplina no uso dessas águas na região. “Com essa iniciativa, nós já conseguimos obter uma recuperação dos níveis do aqüífero de três a quatro metros”, revela Zoltan.

    Nossos aquíferos

    Um dos maiores e mais importantes aqüíferos do mundo fica parcialmente em território nacional. É o Guarani, que abrange uma área de 1,2 milhão de quilômetros quadrado, abaixo da superfície do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Na Bahia, o maior aqüífero é o Urucuia, que fica localizado na região Oeste, ocupando uma extensão de 70 mil quilômetros quadrado. Um só poço na região pode retirar 600 mil litros de água/hora. Além dele, merecem destaque o aqüífero Tucano, no Recôncavo, e o Cárstico, na região de Irecê.

    A água subterrânea é toda a água que ocorre abaixo da superfície da Terra, preenchendo os poros ou vazios das rochas sedimentares, ou as fraturas, falhas e fissuras das rochas compactas. Ela desempenha um papel essencial na manutenção da umidade do solo, do fluxo dos rios, dos lagos e brejos, cumprindo uma fase do ciclo hidrológico.
    Segundo o Censo de 2000, aproximadamente 61% da população brasileira é abastecida, para fins domésticos, com água subterrânea. O número de poços tubulares em operação no Brasil está estimado em cerca de 300 mil, com um número anual de perfurações de aproximadamente 10 mil, o que é considerado irrisório diante dos números de outros países..

    Fonte: Site da Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (www.abas.org.br)


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