Rumo À auto-
suficiÊncia
em gÁS nATURAL

campo Manati
Parte do gás produzido é direcionado para a fábrica de fertilizantes (UN-FAFEN) em Camaçari.
A Bahia pode, com o campo de Manati e em um cenário de curto prazo, tornar-se auto-suficiente em gás natural, segundo informações da Petrobras. Trata-se de um dos maiores campos de gás natural do País, em área marítima.

Anaydê Holanda

A expectativa é ver o campo operando em capacidade máxima, estimada em seis milhões de metros cúbicos por dia, em alguns meses. Espera-se, ainda, o atendimento à demanda imediata do mercado formado, principalmente, por indústrias do Pólo Petroquímico de Camaçari.
Além do mercado interno, o aumento da produção poderá transformar a Bahia em um pólo exportador do insumo para todo o Nordeste. Essa demanda será concluída até o final de 2007, com as interligações da malha do gasoduto na região, além de permitir o escoamento do gás para outros estados demandantes e reverter o cenário atual, isto é, o de importação do gás produzido em Sergipe.
Desta forma, o cenário baiano aponta para uma realidade bem diferente. "Estamos começando um novo ciclo de produção com a atividade marítima, em um campo de alta produtividade, pois cada poço poderá produzir acima de um milhão de metros cúbicos por dia", explica o gerente Robério Ramos. No total, o campo é constituído de sete poços, sendo que três destes já estão prontos, dois em fase de perfuração – com previsão para operar até março – outro planejado para operar a partir de maio e um sétimo poço ainda sob análise.
A Bahia também possui um dos maiores campos produtores de gás natural operando em terra, o campo de Miranga, localizado na Bacia do Recôncavo. Atualmente, no total, os campos baianos produzem cerca de cinco milhões de metros cúbicos de gás natural por dia.

Demanda

Mas, com Manati será possível suprir a crescente demanda do mercado? Atualmente, a Bahiagás, empresa de economia mista controlada pelo Governo do Estado, é responsável pelo insumo e distribuição de gás para as indústrias. Isso corresponde a 3,5 milhões de m3/d, o equivalente a cerca de 65% da produção. Terceira maior distribuidora em vendas de gás canalizado do Brasil, ela fornece o produto para dezenas de clientes, principalmente para indústrias do pólo.
Do volume total produzido, a atividade de Exploração e Produção consome aproximadamente 6%. Parte deste volume é utilizado na injeção de gás nos reservatórios. "Através da injeção do gás, há um aumento da pressão que faz com que o petróleo saia com mais facilidade", esclarece Robério Ramos. Essa técnica permite um maior aproveitamento dos campos petrolíferos terrestres, que reduzem naturalmente a produtividade por conta do longo período em produção. O restante do gás produzido é direcionado para a Fábrica de Fertilizantes - UN-FAFEN - em Camaçari (25%) e à Refinaria Landulpho Alves, em Mataripe (4%).
E ressalte-se que a necessidade do gás extrapola as fronteiras da região, sendo uma carência de indústrias em todo o país. Para atender à solicitação que aumenta a cada ano, desde 2001, a Petrobras vem ampliando a produção. Porém, em virtude da demanda reprimida, ainda há muito trabalho pela frente na busca de ofertar o maior volume do combustível possível e assim atender o desenvolvimento do parque industrial.
Com a estabilização da moeda, segundo especialistas, é fato que o país voltou a experimentar o fenômeno do crescimento econômico nos mais variados ramos de atividade e a energia é um insumo básico. Além das indústrias, o gás também servirá de combustível para as termelétricas. De acordo com a gerente de Coordenação e Controle da Produção da Unidade de Exploração e Produção da Bahia, Cristiane Formosinho Conde, o que motivou a estatal a aumentar os investimentos na produção do gás natural foi, justamente, uma decisão estratégica do Governo Federal para criar condições favoráveis ao desenvolvimento nacional. "Foi a partir da crise energética que se decidiu investir nas usinas termelétricas a gás como uma das soluções para o Brasil", lembra a executiva.

Combustível

Vale destacar ainda o uso do gás na indústria automotiva, como combustível.
"Sabemos que, apesar dos esforços, vamos suprir o mercado apenas em curto prazo. Mas o nosso compromisso é ampliar progressivamente a produção. Por isso, estamos investindo na descoberta de novos campos no Estado", sinaliza Conde. De acordo com ela, ao longo da costa, na região sul da Bahia, também próximo a Morro de São Paulo, a Petrobras investiga a possibilidade de um novo campo. "Inicialmente estão aprovadas as perfurações de mais quatro poços", acrescenta. O Campo de Manati tem capacidade para produzir seis milhões de metros cúbicos por dia, quando estiver operando em capacidade máxima. A princípio, a oferta será de três milhões e meio de metros cúbicos por dia.

Histórico

A produção de gás na Bahia começou na década de 50 e foi intensificada na década de 80, com o campo de Miranga Profundo. Desde então, houve períodos de maior oferta na tentativa de cobrir a demanda crescente, acontecendo de forma mais acentuada a partir de 2001. Assim, o ano de 2007 representa um terceiro momento de aumento da produção. Para se ter uma idéia do esforço da estatal brasileira, somente de 2001 até o final do ano passado, a Petrobras investiu um total de R$1,1 bilhão em projetos de gás no Estado.

QUEIROZ GALVÃO INVESTE NA BAHIA

A Queiroz Galvão Óleo e Gás, além da exploração do produto, possui duas áreas básicas de atuação: prestação de serviços e produção de petróleo e gás.

Anaydê Holanda

Nesta última área, a Companhia é detentora de oito contratos de concessão na fase de exploração e de três contratos na fase de produção e/ou desenvolvimento. Dos contratos de exploração, sete são na Bahia, sendo seis no mar (cinco na Bacia de Camamu/Almada e um na de Jequitinhonha) e um em terra (bacia do Recôncavo).
A empresa já perfurou onze poços de exploração e sete de desenvolvimento, participando ainda da implantação de dois projetos de desenvolvimento da produção. Investiu cerca de U$100 milhões na exploração e U$300 milhões no desenvolvimento dos Campos de Coral, Estrela do Mar, Manati e Camamu. Como resultado da exploração, foram descobertos os Campos de Manati, de Cavalo Marinho e de uma acumulação, ainda em fase de avaliação da viabilidade comercial.
Para o próximo biênio (2007/2008), a companhia tem programada a perfuração de onze ou doze poços exploratórios. Para isso, serão investidos cerca de U$220 milhões, destes, U$110 milhões são da Queiroz Galvão. Pelo menos dez poços serão na Bahia, seja em terra ou no mar.
Atualmente, a empresa perfura um poço exploratório, o 1-QG-3-BA, na bacia do Recôncavo. Em parceria com os sócios, a Queiroz Galvão participou ativamente de todas as fases de implantação do campo. A empresa colaborou com a Petrobras, sócia operadora do projeto, desde o planejamento até a implantação final.
Vale lembrar que, após uma disputada licitação, a empresa foi responsável pela construção e montagem da plataforma de Manati. A companhia também opera como prestadora de serviços para o setor petrolífero, no Brasil e no exterior.

 




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