COMEÇO de uma NOVA ERA

campo Manati
José Sérgio Gabrielli, Presidente da Petrobrás.

Bianca Pitanga

O Campo de Manati está situado na Bacia de Camamu, na costa do Município de Cairu, numa profundidade entre 35 e 50 metros. As reservas totais de gás deste campo equivalem a cerca de 24 bilhões de metros cúbicos e correspondem, aproximadamente, a 40% da reserva de gás da Bahia.
Manati marca o retorno da Petrobras à exploração de petróleo e gás na região do Atlântico que banha a costa baiana, a exploração off shore (no mar),como chamam os técnicos. A plataforma fica a 10 quilômetros da costa do Morro de São Paulo, em Cairu. Os sete poços serão perfurados a uma profundidade de35 a 50 metros entre a lâmina d´água e o fundo do mar e mais 1.266 metros entre o
fundo do mar e o reservatório. De acordo com o presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli, a implantação deste empreendimento contribuirá para o aumento da produção nacional de gás, cujas conseqüências imediatas se refletem no suprimento da demanda interna do Estado da Bahia. Ele explica que o início da produção de gás e condensado propiciará um aumento na arrecadação de impostos e taxas (ICMS,royalties, IR) pelos municípios, pelo
Estado da Bahia e pelo Governo Federal. "As receitas municipais serão ampliadas através do recolhimento de ISS por parte das empresas prestadoras de serviço", afirma, acrescentando que a produção de gás natural do Campo de Manati e sua disponibilização para consumo industrial "representam uma excelente alternativa para diversos tipos de indústrias já instaladas ou que pretendem se instalar na Bahia".
As avaliações iniciais do primeiro poço indicaram uma das maiores colunas contínuas de gás já descobertas no Brasil, com uma espessura de 300 metros. O início das operações em Manati marca uma nova era na exploração de petróleo e gás na Bahia. Além de ser no mar, inaugura uma nova fronteira no setor energético na costa do Baixo Sul, a parte do litoral baiano que fica entre Ilhéus e Salvador.
A plataforma é totalmente automatizada, com um sistema de monitoramento que permite ficar desabitada. Esta opção permite que as dimensões da plataforma sejam reduzidas, minimizando o impacto visual.

A plataforma está interligada a uma estação de tratamento de gás, através de um gasoduto marítimo/terrestre de 24 polegadas, com extensão aproximada de 125km. Para definição da rota foram estudadas cerca de dez alternativas de localização e o traçado foi definido levando-se em consideração as variáveis socioambientais e viabilidade técnica e econômica. A estação de tratamento, denominada Estação São Francisco, receberá o gás, para entrega ao mercado. A Petrobras na Bahia produz, atualmente, cerca de 51 mil bbd (barris por dia) de óleo, LGN e condensado e cerca de 6 milhões de m3/d de gás natural. Contribuindo para esta produção destacam-se os Campos de Fazenda Bálsamo (Cardeal da Silva), Água Grande (Pojuca) e Buracica (Alagoinhas) que produzem cada um deles entre 5300 e 5600 bbd. Os poços de maior produção são o CER-17 (Cidade de Entre Rios nº 17), produzindo 472 bbd de óleo, RCB-73 (Riacho da Barra 73) com 519 bbd e o MP-22 (Massapé 22) com 542 bbd. Com o início da operação de Manati a produção de gás será duplicada, alcançando 12 milhões de metros cúbicos por dia.

 

PREOCUPAÇÃO AMBIENTAL

Na área ambiental foram adotados vários procedimentos, a começar pela plataforma, desabitada. A escolha da rota do gasoduto foi baseada em critérios técnicos, também para garantir a menor interferência socioambiental. A Petrobras monitorou fauna e flora (terrestre e aquática), com resgate de animais em locais onde foi necessário suprimir alguma vegetação. Também foram monitoradas a qualidade de água e sedimentos, corais, bem como a atividade pesqueira na área de influência do empreendimento. A concepção do projeto já foi feita de forma a minimizar os impactos ambientais da implantação da obra, utilizando inclusive faixas de dutos já existentes. O empreendimento apóia algumas ações socioambientais locais, como por exemplo a realização de feira ambiental na semana do meio ambiente em Enseada do Paraguaçu – Maragogipe, limpeza de mangue na localidade de Acupe - Santo Amaro da Purificação, apoio à construção do Plano Gestor da APA de Guaibim - Valença, curso de formação de gestão ambiental para ONG da área de influência do empreendimento, entre outros. Todos os trabalhadores do empreendimento participaram de um programa de Educação Ambiental, que terá continuidade nos próximos anos. Por questões de segurança previstas pela legislação, há uma zona de exclusão para pesca num raio de 500 metros da plataforma. Por conta disso, no processo de licenciamento do empreendimento foram previstas ações compensatórias para as comunidades.

São essas comunidades que irão escolher os projetos socioambientais a serem desenvolvidos ao longo de toda a área de influência, que abrange os municípios de Cairu, Valença, Jaguaripe, Salinas da Margarida, Maragogipe, Santo Amaro, Saubara, São Francisco do Conde e Salvador.




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