
Além de novos consumidores, o campo de Manati irá favorecer as indústrias que necessitam de um aumento no consumo de gás natural
O Estado é um dos maiores consumidores de gás natural do país. Esse elevado consumo é justificado pelo grande número de indústrias instaladas no estado, além de um pólo automotivo e usinas do segmento.
Bianca Pitanga
Mas, o que se consome também se produz. A Bahia é, de acordo com a Bahiagás, o terceiro maior produtor de gás natural do Brasil e com o início da produção do campo de Manati, a produção local será duplicada. Descoberto o campo em 2000, pela perfuração do poço 1-BAS-128, o Projeto Manati começou a ser desenvolvido em março de 2005. A plataforma de produção foi construída e montada no canteiro de São Roque do Paraguaçu e, em julho de 2006, instalada no mar.
Segundo o gerente do Ativo de Produção Bahia-Mar, Robério Ramos, o projeto que objetiva a produção de gás natural é composto pela perfuração, completação e interligação de sete poços, além da construção e montagem de uma plataforma de produção. Junto a isso, ainda há a instalação de 125 km de gasoduto marítimo e terrestre e a construção de uma estação de tratamento de gás.
Para a montagem da plataforma, foram feitas algumas adaptações no canteiro de São Roque do Paraguaçu. "O local foi revitalizado tanto para a construção da Plataforma de Manati, quanto para a construção da Plataforma de Rebombeio que será utilizada na Bacia de Campos", destaca o gerente. De acordo com o diretor de exploração e produção da Queiroz Galvão Óleo e Gás, José Augusto Fernandes Filho, o Campo de Manati é a garantia de suprimento de gás para a Bahia, minimizando, a curto e médio prazos, os riscos de falta de energia no estado.
"O projeto proporcionou, entre outros, benefícios diretos e indiretos, a confirmação da Bacia de Camamu como uma nova província petrolífera. Com elevado potencial de descoberta de novos campos do mesmo porte de Manati, o local garante o suprimento sustentável de gás para a Bahia e o Nordeste por muitos anos", declara o diretor. A Companhia tem a expectativa de descoberta de novos Campos de óleo e/ou gás no estado da Bahia. Este deve ser o resultado das locações exploratórias que a empresa deve perfurar no próximo biênio.
O presidente da Usina Termelétrica Celso Furtado (ex-Termobahia), Jair Gomes, acredita que com a produção do Campo do Manati, a Bahia irá atrair novas indústrias, o que ajudará no crescimento do estado. "O Nordeste precisa de energia para crescer. Nenhuma empresa se instala em um lugar que não tenha energia", comenta. A Usina Termelétrica Celso Furtado é responsável pelo recebimento do gás natural, transformação em energia elétrica e distribuição.
Para o diretor técnico e de produção da Bahiagás, José Eduardo Barreto, além de novos consumidores, o campo de Manati irá favorecer, principalmente, às indústrias que já são clientes e necessitam de um aumento no consumo de gás natural. "As indústrias na Bahia utilizam o gás natural não apenas como combustível, mas também como matéria prima, insumo petroquímico, redutor siderúrgico, geração e co-geração termoelétrica", explica. Barreto comemora também o aumento da produção que é acompanhado do aumento das vendas: "Quanto mais se produz, melhor para a Bahiagás, que aumenta o volume de suas vendas".
PETROBRÁS PRODUZ GN E GLP
Anaydê Holanda
Há basicamente dois tipos de gases sendo produzidos atualmente pela Petrobras: o Gás Natural (GN) e o Gás Liquefeito de Petróleo (GLP). O GN, que se popularizou como combustível de automóveis e, nesse caso, assume a sigla GNV - Gás Natural Veicular, também é usado como energia alternativa e matéria-prima (petroquímica e fertilizantes) de muitas indústrias. Além disso, é usado como o insumo principal das termelétricas. O GN é uma mistura de elementos, cujo principal componente (cerca de 89% a 93%) é o metano. Extraído de reservas naturais, esse gás é utilizado largamente como combustível em todo o mundo.
Já o GLP é mais conhecido da população. Principalmente nos bairros onde o caminhão de gás passa com uma melodia característica. Mas, o uso do famoso gás de cozinha que substituiu a esquecida lenha, extrapola as paredes das residências. Muitos empreendimentos comerciais e industriais usam esse gás, que é à base de butano. No Brasil ele não é utilizado como combustível, porque a portaria ANP 10, de 14/03/1991 regulamenta somente o uso do gás natural para veículos automotivos. Segundo o gerente do Ativo de Produção Bahia-Mar, Robério Ramos, enquanto o gás natural é encontrado na natureza em forma gasosa, o GLP é originado do petróleo, sendo um dos seus derivados.