Responsabilidade Social - Canal Especial: A Tarde

A Tarde - Responsabilidade Social

Instituto mobiliza a sociedade em torno do consumo resposável
Margareth Xavier

Vamos considerar que um cidadão percorre um trajeto de 20 quilômetros para ir ao trabalho. Se, ao longo de um ano, ele deixar o carro em casa uma vez por semana, estará evitando o lançamento de 440 quilos de gás carbônico (CO2) na atmosfera. Esta mesma quantidade de CO2 que um homem leva apenas 52 dias para emitir demora 20 anos para ser absorvida pelo processo de fotossíntese por uma árvore de grande porte. Resolvendo
equações como esta, os consumidores conscientes decidem dar sua contribuição para
evitar que a Terra fique ainda mais quente. Segundo os cientistas do clima, a queima de
combustível, afinal, é um dos fatores que mais incidem negativamente para o aquecimento global, considerada maior provocação da crise no meio ambiente. Modelos como este estão sendo divulgados pelo Instituto Akatu (www.akatu.org.br), uma organização não-governamental, criada no âmbito do Instituto Ethos de Responsabilidade Social, com
a missão de educar e mobilizar a sociedade para o consumo consciente. Hélio Mattar, presidente do Akatu, acredita que difundindo o conceito - um dos mais importantes dentro do tema "responsabilidade social", será possível "mudar o mundo na direção da ustentabilidade humana e do meio ambiente". Ele explica que todo consumo causa um impacto que pode ser positivo ou negativo para o planeta, mas, se a ação de cada indivíduo for consciente,
pode minimizar os danos causados à Terra. "Ou pensamos e construímos um mundo em que os limites naturais sejam respeitados ou estaremos caminhando para um suicídio coletivo", preconiza. As atividades da organização se justificam na medida em que o consumismo se envaidece e respalda através de um marketing poderoso. Hoje ninguém precisa sair de casa para comprar. Há pelo menos dois mil sites oferecendo todo tipo de
produto na Internet brasileira e este ano o varejo eletrônico terá crescimento recorde no país,
segundo dados da empresa de pesquisas E-bit, movimentando um volume de R$ 4 bilhões em bens de consumo. Um pouco mais da metade deste montante (R$2,2 bilhões) fica com as maiores empresas de vendas on line: Americanas.com e Submarino. No varejo
presencial, os baianos estão comprando 50% mais que o resto do Brasil, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ainda que a pesquisa referente a 2006 não tenha sido divulgada, a informação sobre o registro do movimento no comércio baiano de janeiro a novembro de 2005 impressiona. Tanto em valor nominal como em volume de vendas, o crescimento chegou à marca de 7,26%, frente aos 4,82% do comércio brasileiro.

CONSUMO RESPONSÁVEL

Para Vilmar Berna, fundador da Rebia - Rede Brasileira de Informação Ambiental (www.rebia.org.br), o consumismo desenfreado se fundamenta no maior equívoco da sociedade que trocou o ser pelo ter: a falsa idéia de que "a felicidade e o sucesso estão na posse de cada vez mais bens materiais". Analisando a postura dos consumidores, Berna, Prêmio Global 500 da ONU Para o Meio Ambiente, afirma que por trás dos problemas ambientais "não estão apenas a ação de poluidores, o desmantelamento dos órgãos públicos de controle ambiental ou a falta de consciência, mas também atitudes e valores dos
que julgam ser natural explorar o meio ambiente e os nossos semelhantes só para acumular lucros crescentes". Por isso, ele acha que não basta exigir mudança de comportamento do empresariado e governantes. "Precisamos ser capazes de enfrentar a nós próprios", conclui. Segundo as regras Akatu de consumo responsável, tendo consciência dos impactos que seus hábitos de consumo têm sobre o planeta, o consumidor pode assumir um papel importante, escolhendo comprar de empresas que investem em ações benéficas para a sociedade. Dessa forma, o cidadão dá seu aval não só ao produto que está comprando, mas à conduta da empresa que o fabricou. "Ter responsabilidade social não é
comprar bens. É comprar bens que tenham sido produzidos com salários justos, em condições dignas de trabalho, com respeito ao meio ambiente e, se possível, contribuindo para o desenvolvimento de comunidades em condições adversas", pontua Antonio Vives, diretor interino do Departamento de Desenvolvimento Sustentável do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Para esta categoria de consumidor, o Instituto Akatu montou um Centro de Referência, através do qual publica, virtualmente, um Guia de Empresas e Produtos, que se constitui na maior grade de informações sobre as empresas brasileiras, sendo o único veículo a exibir o estágio dessas companhias em responsabilidade social empresarial (leia boxe). "Ao escolher comprar um produto certificado como de comércio justo, o consumidor estará usando o ato de consumo como um ato de solidariedade com a sociedade que o produziu", observa Hélio Mattar, afirmando que, emblematicamente, uma compra efetuada através destes parâmetros caracteriza-se como o que o Instituto Akatu chama de consumo consciente. Para estimular a prática, a ONG faz um investimento especial no período, o mais representativo do comércio, através da campanha "Pratique o consumo consciente nas festas de Natal", dando 12 dicas para quem não quer ceder aos apelos mercadológicos.


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" O consumismo desenfreado se fundamenta no maior equívoco da sociedade que trocou o ser pelo ter"

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